Stratocruiser | Northwest

O Boeing 377 Stratocruiser foi um luxuoso avião comercial, quadrimotor à pistão, lançado pela Boeing após a Segunda Guerra Mundial. Na época, ela desenvolveu o avião militar C-97 Stratofreighter, baseado no famoso bombardeiro B-29 e, sua versão civil foi o 377 Stratocruiser. Com uma fuselagem maior e mais alongada, o Boeing 377 superava em tamanho seus concorrentes Lockheed Constellation e Douglas DC-7, e ganhava ainda em autonomia de vôo, ao ter capacidade de cruzar oceanos sem escala.

Sua motorização Pratt & Whitney Wasp Major tornou-se anti-econômica e mesmo insegura (o maior problema dos Stratocruiser nem eram os motores, e sim as hélices, que eram reversíveis, mas cujo complicado mecanismo entrava frequentemente em pane, geralmente causando disparo do motor), o que levou ao encerramento precoce da linha de produção da aeronave, no ano de 1950, com 56 aeronaves construídas. A velocidade máxima seria em torno de 643Km/h, a sua fuselagem dupla e a grande capacidade de combustível, daria margem a uma inigualada combinação de carga paga e alcance, levaria até 100 passageiros ou 15.786 kgs de carga.

Com sua cabine pressurizada, manteria uma altitude na cabine de 2.438 m, mesmo voando a 9.144 m. Era o herdeiro direto do modelo Boeing 345 (Superfortaleza B-29). Nele a Boeing introduziu a famosa escada em espiral dentro da aeronave, dando acesso ao bar na parte inferior da cabine que podia também acomodar até 14 passageiros e camas na parte superior da aeronave. Haviam ainda toaletes masculinos e femininos e as maiores galleys até então existentes e mais bem equipadas. As entregas foram realizadas entre Fevereiro de 1949 e Março de 1950, e uma aeronave nova custava cerca de USD 1.500.000.00 em dinheiro da época.

Externamente, havia um detalhe interessante, as janelas do encomendados pela Nortwest e pela United eram retangulares e não redondas como as dos outros. Foram fabricadas apenas 56 aeronaves. A American Overseas Airlines encomendou 8, que com a fusão com a PAA passaram para ela, a Northwest encomendou 10, a BOAC encomendou 7 (chegou a operar 17 depois de absorver as aeronaves da SAS e da United), a United encomendou 7 e a SILA – Svensk Interkontinental Luftrafik (predecessora da SAS) encomendou 4 (nunca recebidos) e a PAA 20.

Como já mencionado, o grande problema desta aeronave eram as hélices. A PAA adotou a Hamilton Standard e as outras, Curtiss Eletric. Estas nunca deram problemas. Os motores R-4360 Wasp Major também eram complicados. Apenas no período de Janeiro de 1951 a Junho de 1952, a PAA teve 60 falhas de motores nas suas aeronaves!

A PAA recebeu seu 1º Stratocruiser em 05.03.1949 em Washington, batizado como “Clipper America” pela Srª Margaret Truman, filha do presidente Truman. Aconteceram ainda dois acidentes incomuns, a primeira perda de uma vida em um Stratocruiser ocorreu quando uma porta da aeronave N1031V “Clipepr Mayflower” abriu-se quando em aproximação do aeroporto de Idlewild e um comissário tentando segurá-la, foi sugado. O segundo deste tipo aconteceu em 27.07.1952 com o Startocruiser N1030V “Clipper Southern Cross” quando uma passageira foi sugada e morreu ao abrir-se uma porta logo após a decolagem do Rio de Janeiro. O primeiro Stratocruiser a ser perdido foi o da United, prefixo N31230 “Mainliner Oahu”, que aconteceu em 12.09.1951 quando em vôo de treinamento na Baía de São Francisco e os três tripulantes faleceram.

O tipo sofreu 13 acidentes entre 1951 e 1970, totalizando 140 mortes, um deles famoso, com uma aeronave Pan American, no Brasil. Porém, nunca foi operado por companhias brasileiras. Em 28 de abril de 1952, com a aeronave N1039V, conhecida como Clipper Good Hope, que caiu em um vôo noturno quando sobrevoava o Pará, matando as 50 pessoas que levava de Buenos Aires para New York, após uma escala no Rio de Janeiro, de onde partiu as03h06 da manhã.

O kit representa o N74603 foi aos céus pela primeira vez em 09.04.1949 e foi entregue para a Northwest em 10.07.1949 com o nome de Stratocruiser Chicago. Até ser retirado de serviço, ainda teve os nome de Stratocruiser New York e Stratocruiser Seattle-Tacoma. Quando aposentado tinha 31.071 horas de operação. Foi para a Aero Spaceliners em 1963 e sucateado em 1982.

A Northwest, que depois acrescentou o nome “Orient”, era especialista em voos transoceânicos para a Asia, com rotas que se estendiam até o Hawaii, Japão, Coréia, Filipinas, China e Hong-Kong. Nos Estados Unidos, seus Stratocruiser faziam voos especiais entre New York e Chicago com pianistas a bordo, fazendo happy hour no final do dia. Um luxo só… Suas 10 aeronaves tinham janelas quadradas e uma cozinha extra, com duas pias, onde fazia refeições completas.

O kit é um Minicraft, que não é ruim, mas tem pouquíssimos detalhes. Está certo que a escala é pequena, mas poderia ser melhor. As instruções de pintura também estão erradas e com falhas, como nas cores e esquema de pintura das hélices. Somente pesquisando se chega na versão correta. Outros dois pontos ruins: as hélices tem spinners errados (pequenos), eu fiz novos alterando os do kit do DC-6 (requer corte e ajuste) e as janelas cinza são nada a ver. Pintei todas por cima, de preto. Achei o resultado bem melhor.

 

Postado na categoria Airliner, História, Plastimodelismo e marcado como , , , , , , . Favorite o link permanente.

Deixe uma resposta